A TRAIÇÃO: PRIMEIRA PARTE

Novembro 18, 2007

“Todas as coisas são feitas de acordo com o plano e com a decisão de Deus. De acordo com a sua vontade e com aquilo que ele havia resolvido desde o princípio, Deus nos escolheu para sermos o seu povo, por meio da nossa união com Cristo.” Ef 1.11. Deus nos criou para compartilhar conosco a sua natureza. Ele nos criou a sua imagem e semelhança. Ele queria compartilhar a suabeleza, a sua eternidade, a sua santidade, então ele criou um ser a sua imagem e semelhança. No momento em que olhamos para dentro de nós mesmos e descobrimos a imagem e semelhança de Deus, nós não temos outra atitude a não ser de adorá-Lo, pois adorar é conseqüência da descoberta do poder, do valor, da importância de Jesus em nossas vidas. Creio que sejamos produto daquilo que acreditamos ser e se acreditamos que somos filhos de Deus e que a essência de Deus está em nós, não resta outra coisa a não ser adorá-Lo. O psicólogo infantil, Dr. James Dobson, acredita que uma boa auto- imagem e senso de valor pessoal afetam não apenas os indivíduos, mas toda a estrutura da sociedade. Ele disse: “…toda vez que as chaves para auto-estima estão aparentemente fora do alcance de uma grande porcentagem de pessoas, como acontece na América no século vinte, uma epidemia de “doenças mentais”, neuroses, ódio, alcoolismo, abuso de drogas, violência e perturbação social certamente ocorrerá. O valor pessoal não é algo que os seres humanos podem ter ou deixar delado. Precisamos dele, e quando está fora do nosso alcance, todo mundo sofre”. Eu gostaria de estar meditando com você sobre alguns jovens da Bíblia que enfrentaram grandes desafios, mas que puderam superar. Vamos analisar a família de cada um e descobrir como eles superaram situações muito complicadas em suas vidas. Jovens que viveram de forma equilibrada apesar das circunstâncias que os cercavam. Que mantiveram uma postura digna e honrada diante de Deus e diante dos homens. Que você jovem aceite o desafio de viver uma vida completamente diferente da vida que o mundo vive hoje. Que você alcance a capacidade de viver de forma equilibrada.  O primeiro jovem que iremos analisar se chama José. Vamos aos dados deste jovem (nós precisaremos de todas estas informações para compreendermos o ambiente familiar de José – tenha um pouco de paciência):

Nome: José (significa: Deus aumente; Ele acrescente

Filiação: Mãe: Raquel Pai: Jacó (Gn 30.22-24)

Local de Nascimento: Distrito de Pada-Arã na vila Harã – Mesopotâmia

Irmãos(12) : Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulon, Diná,Benjamim, Dã, Naftali, Gade e Aser

Esposas de seu pai: Raquel (sua mãe) e Lia (sua tia)

Concubinas de seu pai: Bila(escrava de Raquel) e Zilpa (escrava de Lia)

Avós paternos: Isaque e Rebeca

Avós maternos: Labão (a bíblia não menciona o nome da avó)

Profissão: Na juventude vaqueiro; pastor de ovelhas; mais tarde Governador do Egito

Estado civil:Casado

Crença; Eles criam no Deus Vivo

José nasce em um lar cheio de problemas. Sua mãe e sua tia disputavam o mesmo homem (Gn30.7).  Ele e seus irmãos crescem em um lar conflitado. Filhos de um pai que já tinha problemas com sua parentela (Gn 27), que tinha problemas com o sogro (Gn 29.21-27; 30:21-36; 31:1-42). José tem uma irmã violentada (Gn 34.1-2). Dois irmãos de José, Simeão e Levi são autores de uma chacina na cidade de Siquém (Gn 34.5-27). Os demais irmãos se tornam ladrões (Gn 34:27-29). Raquel dá a luz a Benjamim o qual ela amaldiçoa através do nome – dando a ele  o nome de Benoni (filho da minha tristeza), logo em seguida vem a falecer. Jacó imediatamente troca o nome do menino para Benjamim(filho da minha felicidade) Raquel é sepultada na beira do caminho de Efrata. Não segue com sua família para Canaã (Gn 35.16-21). Seu irmão Rúben comete adultério com Bila, concubina de seu pai (Gn 35.22). Temos aqui um pai que não conseguiu vencer a crise de autoridade e disciplina. Jacó não conseguiu ser firme em suas decisões. Creio que também não teve tempo para seus filhos. Com todo este histórico também não consigo imaginar Jacó consagrando seus filhos nominalmente  todas as manhãs ao Senhor, assim como fez Jó. Jacó perdeu a autoridade e foi incapaz de disciplinar seus filhos. Perdeu a identidade de autoridade em seu lar, seus valores sofreram rupturas e o resultado disto tudo foram frutos muito amargos. No capítulo 37 de Gênesis encontramos José com 17 anos de idade. Jacó morava nesta época em Canaã.  A Bíblia relata que Jacó já era velho quando José nasceu e por isso ele o amava mais do que a todos os seus outros filhos. José era filho de Raquel, sua mais amada esposa. Afinal, ele trabalhou para seu sogro quatorze longos anos. José tinha o mal hábito de fazer  comentários  das coisas erradasque os seus irmãos faziam. Jacó o enviava a seus irmãos para saber se estava tudo bem com os irmãos e os animais e ao invés de fazer apenas aquilo para o qual havia sido enviado, também descobria o erro dos irmãos, e me parece que Jacó não corrigiu José para que não o fizesse. Jacó tinha todo um tratamento especial com José a ponto de lhe presentear com uma túnica talar de mangas compridas  que era usada somente pelos adultos. A túnica dos jovens era de manga curta e ia até os joelhos. Cria-se neste momento na casa de Jacó uma situação insólita. Em via de regra o primogênito, era o escolhido, o único herdeiro, não só dos bens como da tradição simbolizada pela benção do pai e de Deus. E neste caso o herdeiro seria Rúben, o filho que adulterou com a sua concubina. José fora criado em um lar onde havia ciúmes e inveja e devido ao exemplo dado dentro de casa ele começa a humilhar seus familiares através de seus sonhos que eram interpretados, entendidos, pelo pai e pelos irmãos ((Gn 37.5-11). Então os filhos de Jacó decidem matar José e eu creio que Deus agiu neste momento usando Rúben para evitar que isto acontecesse. Decidiram jogá-lo em uma cisterna e depois vendê-lo como escravo para uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade e ia para o Egito.  Até os dezessete anos José vive debaixo da proteção de seu pai. A partir do momento em que seus irmãos decidem se livrar dele, sentimentos são gerados e José não tem mais Jacó para defendê-lo. José será obrigado  a amadurecer, cria-se uma dependência de Deus. José deixa de ser menino para ser um homem maduro. Vamos ver o que José precisou enfrentar:

      Traição

      Solidão

      Escravidão

      Assédio (acusação de adultério)

      Vergonha, humilhação (prisão)

Nas próximas mensagens nós vamos analisar estes pontos e peço ao Espírito de Deus que nos ensine através da vida deste rapaz como é possível  viver neste mundo mantendo uma postura digna e honrada diante de Deus e dos homens. Termino com um pensamento: “São as situações altamente carregadas de vida que revelam a forçade caráter de uma pessoa”.

Jo-Ellan Dimitrius


A TRAIÇÃO: SEGUNDA PARTE

Novembro 18, 2007

“Quando José chegou ao lugar onde os seus irmãos estavam, eles arrancaram dele a túnica longa, de mangas compridas, que ele estava vestindo. Depois o pegaram e o jogaram no poço, que estava vazio e seco. E sentaram-se para comer”.Gn 37. 23-24. A traição é, sem dúvida, um dos grandes paradoxos da condição humana. Ninguém é traído por seu inimigo, pois não permitimos que se aproximem o suficiente de nossos corações. Não temos intimidade o suficiente com eles. Compartilhamos nosso coração com os nossos irmãos e amigos. Eu fico conjecturando sobre aquilo que José deve ter sentido. Eu imagino ele dizendo para si mesmo a caminho do Egito o seguinte: “Não consigo acreditar que não enxerguei os sinais. Estavam ali na minha frente! Como pude ser tão cego?” É incrível como as pessoas emitem sinais de quem elas realmente são e nós não enxergamos. Jovem cuidado com suas amizades! Cuidado com aqueles que se aproximam dizendo ser amigos. Eu creio que durante a viagem José chorou muito. Este menino não podia crer naquilo que estava acontecendo. Seus próprios irmãos. Sendo um ser humano como qualquer outro, creio que José teve raiva, ressentimento, se desencantou com os irmãos. Eu creio que ele gemia de dor. Quando sofremos a traição de um amigo ou irmão a nossa alma dói absurdamente, dói a nossa carne, os nossos ossos, e conforme os dias vão passando, então começamos a revisar cuidadosamente o passado. Palavras, gestos, olhares, frases começam a bailar em nossas mentes e nos perguntamos como nos enganamos a respeito das intenções de uma determinada pessoa, da lealdade de um irmão, um amigo, do bom senso daquele que estava ligado a você no trabalho, no ministério. E normalmente observamos os erros que cometemos com uma visão agora mais aguçada. Começamos a reviver nossos erros. Certos momentos voltam em nossas mentes. Queremos fazer o tempo voltar, escolher melhor nossas amizades. Sentimos raiva de nós mesmos por ter sido tão tolos, e de certa forma ingênuos por acreditar tanto em alguém que nunca mereceu a nossa confiança. Pessoas assim só se aproximam para tirar vantagem. Aproximam-se porque desejam alguma coisa que você tem para dar, não são seus amigos. Estes quando menos esperamos nos preparam ciladas, nos jogam na cisterna, nos vendem como escravos e comunicam a nossa morte.Você consegue imaginar José? Eu o imagine pelo caminho suspirando, soluçando, meneando a cabeça, tento crises de choro, falando baixo e lentamente, olhos baixos, movimentos lentos e deliberados, mudanças no apetite, falta de atenção à higiene e às roupas, apático, abrindo e fechando a boca, sem dizer nada ou no máximo “aí” ou talvez “porque”. Essa é a palavra que mais sai da nossa boca “porque”. Não temos respostas, é apenas um imenso vazio. Aprendemos com José que não podemos compartilhar nossos sonhos com qualquer pessoa. Nem todos são dignos de compartilhar daquilo que Deus nos revela. José chega ao Egito e é vendido novamente a um egípcio chamado Potifar, um oficial que era o capitão da guarda do palácio(Gn 39.1). Eu creio que neste momento os olhos de José corriam de um lado para o outro. Havia tensão no corpo, contração do corpo. Talvez ele retorcesse as mãos, limpasse a garganta, tossisse de nervoso. Talvez mordesse os lábios, olhasse para baixo. Talvez seu corpo estivesse tremulo, suasse. Nestes momentos não há nada melhor do que saber que Deus está conosco e Deus estava com José! A Palavra do nosso Deus diz: “O Senhor Deus estava com José” Gn 39.2a. Neste momento José aprendia a reconhecer tão-somente a mão do nosso amoroso Pai, que está nos céus, em todas as coisas. Talvez você esteja vivendo um momento de traição e medo. Talvez esteja dando a glória ao diabo, ao mundo, à carne, as circunstâncias. Pode estar culpando os seus inimigos. Mas saiba que você pode receber grande paz e quietude de coração quando se recusar a reconhecer causas secundárias em sua vida. Deus é soberano e Ele é o nosso Pai. Ele se agradou em permitir que essas coisas acontecessem, e a sua parte é crer que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Rm 8.28). José foi cruelmente traído pelos seus irmãos, lançado numa cisterna e vendido como escravo. Tanta aflição para um só jovem parecia suficiente para feri-lo mortalmente no seu interior, até que viesse a perecer sob a amargura da alma que normalmente resulta da rejeição pessoal. Mas Deus tornou todo o mal em bem na vida de José. Termino hoje com uma frase.

“As minhas orações não mudam a Deus. As minhas orações mudam a mim mesmo”.

C.S. Lewis